Compreendendo as fases da vida

fases da vida achado no face

A própria vida é um caminho de iniciação, temos apenas de aprender a olhá-la e vivê-la conscientemente (Gudrun Burkhard).

De forma geral, podemos dividir a vida em três grandes fases: até os 20 anos somos aprendizes, dos 20 aos 40 anos lutamos e dos 40 aos 60 anos nos tornamos sábios. Com o aumento da expectativa de vida, podemos pensar em uma 4ª fase, a partir dos 60 anos, quando compartilhamos nossa sabedoria até chegar o momento de partirmos.

Para uma compreensão mais detalhada, podemos dividir a vida em períodos de 7 anos, também chamados setênios. O 1º setênio, 0-7 anos, inicia-se com o nascimento, sendo marcado pelo desenvolvimento do corpo físico e forte ligação com o ambiente familiar (pessoas, cultura e hábitos). Nesta fase há o 1º lampejo de autoconsciência, quando a criança aos 3 anos começa a referir-se a si mesma como “Eu”.

O 2º setênio, 7-14 anos, é marcado pelo desenvolvimento das emoções e de relações fora do âmbito familiar, sendo a escola o ambiente principal. Nesta fase há um aprofundamento da autoconsciência aos 9 anos, quando a criança começa a se perceber como um Eu separado dos pais, da família e dos amigos. É um momento onde a criança está mais sensível, tornando-se mais medrosa, irritadiça e chorosa.

O 3º setênio, 14-21 anos, é marcado pela atuação dos hormônios sexuais e amadurecimento do sistema reprodutor, sendo uma época voltada para os amigos. A autoconsciência se consolida cada vez mais e o adolescente tem uma necessidade de afirmação desse Eu, o que é feito confrontando-se com outras pessoas, principalmente, as figuras de autoridade, como pais e professores. Para equilibrar tais confrontos é importante que as figuras de autoridade tenham desenvolvido coerência e veracidade naquilo que pensam, sentem e fazem. Essa é a forma de inspirar o adolescente a ser uma pessoa melhor e mais equilibrada.

No 4º setênio, dos 21-28 anos, tem início a vida adulta e a maioridade em todos os âmbitos legais, ou seja, a pessoa torna-se responsável por si mesma. Mas também é um momento de crise de identidade: Quem sou eu? O que realmente quero fazer? Atrás destas respostas, a pessoa busca uma série de experiências para vivenciar o mundo. É normal que se passe por diferentes experiências profissionais, de relacionamentos e viagens por lugares desconhecidos. É o momento da busca do seu lugar no mundo!

O 5º setênio (28-35 anos) tem início aos 28 anos quando uma nova crise pode ter começo, a crise dos talentos, onde a pessoa se pergunta: Fiz as escolhas profissionais corretas? Sou realmente bom naquilo que escolhi? Onde devo atuar? Passada esta crise, já por volta dos 30 anos a pessoa passa por um processo de questionar o mundo e organizá-lo, buscando sentido para a forma como as coisas são. Entre os 30 e os 33 anos é frequente o colapso de valores e um processo de mudança na forma de perceber o mundo. Assim, aos 33 anos a pessoa pode passar por um renascimento psíquico, onde transforma sua visão de mundo. É o momento da conquista de seu lugar no mundo!

Após o profundo questionamento do mundo no setênio anterior, o 6º setênio (35-42 anos) é marcado pelo autoquestionamento.  A pessoa desenvolve ainda mais sua autoconsciência e compreende que o mundo é o resultado de suas escolhas, de sua forma de agir. Se ela tem desenvolvido um caminho pouco coerente com seus talentos e sentimentos, pode emergir uma forte crise de autenticidade. É o momento da consolidação de seu lugar no mundo! Mas pode ser um novo início, na tentativa de sanar a falta de coerência e autenticidade consigo mesma. Se a pessoa segue em um caminho de incoerência, a crise pode ir se aprofundando e levar a depressões profundas. A depressão é um aviso do corpo de que há necessidade de parar, não dá mais para seguir na mesma direção. Porém, se ao invés de buscar a solução real, a pessoa apenas faz uso de anti-depressivos e outras drogas, a sensação de vazio e de frustração pode agravar-se cada vez mais.

No 7º setênio (42-49 anos) a pessoa busca fazer aquilo que de fato é essencial para ela, de acordo com suas próprias respostas para as questões que a vida foi lhe trazendo. Em um caminho de desenvolvimento consciente, nesta fase a pessoa pode doar ao mundo algo único e autêntico. É como se em toda sua trajetória ela fosse enchendo sua bagagem com tudo que a vida foi lhe oferecendo, mas aqui ela esvazia a mala, deixando apenas aquilo que lhe é essencial. A pessoa se livra dos excessos de responsabilidade, de fazeres, de objetos, se torna mais leve e tem mais consciência de como aproveitar o seu tempo e suas ações com o que de fato considera essencial.

No 8º setênio (49-56 anos) o declínio do corpo físico se faz bem mais evidente. Se a pessoa lida com isso de forma verdadeira e não com uma luta diária para vencer os efeitos do tempo, há o desenvolvimento de novos valores sobre a vida. Se antes a percepção de que ter uma bela aparência era o mais importante para ser aceito e valorizado pelos outros; aqui a pessoa pode se dar conta de que as experiências de vida, seus aprendizados, sua capacidade de empatia, de compaixão e amor são os maiores tesouros. De posse deles, a pessoa tem uma percepção real de que o tempo de vida está se acabando e com essa consciência ela se doa, contribuindo com aquilo que sente que é de fato necessário para um mundo melhor.

No 9º setênio (56-63 anos) a pessoa pode encontrar uma nova missão para sua vida. Aqui o principal impulso é fazer o bem. A pessoa já tem uma história de vida consolidada, ganhou experiências diversas, consolidou sua sabedoria e pode iluminar a vida de outras pessoas.

Após os 63 anos essa nova missão continua se consolidando e a consciência da morte se torna cada vez mais presente. Com sabedoria, a pessoa torna-se cada vez mais grata pela vida e pela oportunidade de estar com os demais, de compartilhar o que aprendeu e de continuar aprendendo e lapidando-se para o encontro derradeiro, onde mergulharemos no grande mistério.

*Texto escrito pela Dra. Cecília Costa, Instituto SerMente Livre, baseado nos estudos da Antroposofia, especialmente nas publicações da autora Gudrun Burkhard precursora da formação de Aconselhamento Biográfico no Brasil.

Se você quer viver conscientemente cada fase de sua vida, invista no seu autoconhecimento. Para receber gratuitamente artigos para lhe auxiliar no seu processo de autodesenvolvimento, cadastre-se.

Você pode aprofundar-se na sua biografia fazendo um workshop de imersão ou através de sessões individuais. Para inscrever-se ou saber mais, clique aqui.

 

Como descobrir seu propósito de vida?

Homem e Deus sem Deus Michelangelo

“Descobrir seu propósito de vida é preencher o vazio existencial que se sente quando falta o essencial. É encontrar a sua essência e colocá-la a serviço da vida!”

Descobrir o propósito de nossas vidas exige que tenhamos consciência de nossa história de vida, compreendendo a nossa trajetória e o seu significado desde a sua origem. Perguntas como: “Quem são os nossos pais?” ou “Que influências positivas e negativas recebemos deles?” são um bom ponto de partida. Mas há momentos especiais de nossa trajetória que nos dão outras pistas, como as circunstâncias que afetaram nossas escolhas profissionais por volta dos 18 anos e dos 37 anos. Outros momentos esclarecedores são: a crise dos talentos que vivemos próximo aos 27 anos, morte e ressurreição de aspectos de nossa vida próximo aos 33 anos e a crise da autenticidade aos 42 anos.  Além disso, é importante ter em mente que nosso propósito de vida não é algo estático. Nossa biografia é viva, nós estamos sempre ganhando novas experiências e habilidades, ressignificando fatos e metamorfoseando nossas forças e sentimentos. Assim, é importante ter em mente que tudo está em movimento. O que era seu propósito de vida aos 18 anos pode ser bem diferente daquilo que é significativo para você aos 42 anos. Portanto, precisamos estar sempre atentos para suprir a nossa sede de uma vida mais significativa e coerente com nosso processo de desenvolvimento.

Por Cecília Costa, PhD. Instituto SerMente Livre.

“Descubra seu propósito de vida”, curso vivencial dias 28 e 29 de abril/2016, Rua Sebastião de Barros, 166. Nova Granada, BH. Investimento: 200 reais (10% de desconto até 18/4).

Ciência explica porque reclamar altera negativamente o cérebro

neuronios cerebro

Ouvir alguém reclamar, mesmo que seja você mesmo, nunca fez bem. Algumas pessoas dizem que reclamar pode agir como uma catarse, uma maneira de descarregar emoções e experiências negativas. Mas olhar com mais atenção ao que o ato de reclamar realmente faz para o cérebro nos dá motivos reais para lutar por um estado de espírito mais positivo e eliminar a reclamação de nossas vidas.

“Sinapses que disparam juntas, se mantém juntas”

O cérebro é um órgão complexo que de alguma forma funciona em conjunto com a consciência para criar a personalidade de um ser humano, sempre aprendendo, sempre recriando e se regenerando. É ao mesmo tempo o produto da realidade e o criador da realidade, e a ciência está finalmente começando a entender como o cérebro cria realidade.

Autor, cientista da computação e filósofo, Steven Parton, examinou como as emoções negativas na forma de reclamações, tanto expressas por você mesmo ou vindas de outros, afetam o cérebro e o corpo, nos ajudando a entender por que algumas pessoas parecem não conseguir sair de um estado negativo.

Sua teoria sugere que a negatividade e a reclamação realmente alteram fisicamente a estrutura e função da mente e do corpo.

“Sinapses que disparam juntas, se mantém juntas”, diz Parton, que é uma maneira concisa de compreender a essência da neuroplasticidade, a ciência de como o cérebro constrói suas conexões com base em tudo a que é repetidamente exposto. Negatividade e reclamações irão reproduzir mais do mesmo, como esta teoria destaca.

Parton explica ainda:

By Curtis Neveu - Own work, CC BY-SA 3.0,
By Curtis Neveu – Own work, CC BY-SA 3.0

“O princípio é simples: em todo o seu cérebro há uma coleção de sinapses (responsáveis por transmitir as informações de uma célula para outra) separadas por espaços vazios chamados de fenda sináptica. Sempre que você tem um pensamento, uma sinapse dispara uma reação química através da fenda para outra sinapse, construindo assim uma ponte por onde um sinal elétrico pode atravessar, carregando a informação relevante do seu pensamento durante a descarga.

… toda vez que essa descarga elétrica é acionada, as sinapses se aproximam mais, a fim de diminuir a distância que a descarga elétrica precisa percorrer …. o cérebro irá refazer seus próprios circuitos, alterando-se fisicamente para facilitar que as sinapses adequadas compartilhem a reação química e, tornando mais fácil para o pensamento se propagar. “

Além disso, a compreensão deste processo inclui a ideia de que as ligações elétricas mais utilizadas pelo cérebro se tornarão mais curtas, portanto, escolhidas mais frequentemente pelo cérebro. Isto explica como a personalidade é alterada.

No entanto, como seres conscientes, temos o poder de modificar este processo, simplesmente ao nos tornarmos conscientes de como o jogo universal da dualidade atua no momento em que surgem os pensamentos. Nós temos o poder de escolher criar pensamentos conscientes de amor e harmonia, garantindo assim que o cérebro e a personalidade sejam positivamente alterados.

A empatia e o efeito em grupo

Vamos além do efeito que a reclamação tem sobre o próprio indivíduo. Esta linha de raciocínio científico se estende até a dinâmica entre duas pessoas, explicando cientificamente como a reclamação joga outras pessoas para baixo.

Os “neurônios-espelho” garantem que aprendamos com o meio ambiente, e são também os elementos bioquímicos essenciais da empatia. O cérebro relaciona-se com o que outra pessoa está expressando, e a nossa porção empática responde “experenciando” essa emoção como uma tentativa de se relacionar e compreender o drama externamente.

Assim, quando alguém derrama um caminhão de fofocas, de negatividade e drama em cima de você, você pode ter certeza que está sendo afetado bioquimicamente, diminuindo as suas chances ser feliz. A exposição a este tipo de explosão emocional realmente provoca stress. E já sabemos que o estresse mata, portanto reclamação e negatividade podem estar contribuindo seriamente para a sua morte precoce.

Parton refere-se a essa perspectiva como “a ciência da felicidade”, e este comportamento de reclamação contínua oferece um estudo propício para a ligação entre o poder do pensamento e a capacidade de controle que uma pessoa pode ter sobre a criação de sua realidade tridimensional.

“… Se você está sempre reclamando e menospreza o seu próprio poder sobre a realidade, você não pensa que tem o poder de mudar. E assim, você nunca vai mudar. “

 

Fontes:

Science Explains How Complaining is Negatively Altering Your Brain

http://www.apa.org/monitor/oct05/mirror.aspx
http://www.curiousapes.com/the-science-of-happiness-why-complaining-is-literally-killing-you/

Por que os anos estão se passando cada vez mais rápido?

anos passando 2016

*Por Cecília Costa

Quem é que não se viu dizendo: O ano já está acabando? Passou tão depressa… tantas coisas que eu ainda gostaria de fazer. Entra ano sai ano e nós cada vez mais espantados com a rapidez do tempo. Será por que? Se lembra da teoria da relatividade de Einstein? Ela diz que o tempo é relativo, ele se torna mais lento à medida que nos aproximamos da velocidade da luz. E o que isso tem a ver com o seu tempo? Bem, a velocidade dos tempos atuais é bem maior do que a 80 anos atrás, quando TV ainda era raridade; ou do que a 30 anos, quando computador era raridade; ou do que a 20 anos quando quase não havia celular, ou mesmo do que a 5 anos quando não havia Smart Phone ou Tablet. Eu nem estou considerando que a velocidade dos meios de transporte aumentou. Estou apenas considerando que a quantidade de informações que você recebe por dia aumentou vertiginosamente (2,4% ao ano entre 1980 e 2008) e que você leva em média 11,8 horas diária recebendo informação. Pense só, 60 anos atrás as pessoas recebiam informações principalmente a partir de seus vizinhos, as vezes do rádio ou de algum jornal escrito (mas lembre-se que nessa época a maior parte das pessoas vivia na zona rural e sem luz, de modo que rádio, só enquanto durasse a pilha, e jornal era raridade). A quantidade de informações novas que uma pessoa tinha ao longo de um dia era quase nada ou uns poucos fatos corriqueiros. Isso significa que naquela época você teria que viver cerca de 25 anos (considerando 30 minutos por dia dedicados à informação) para ter a quantidade de informações que você tem hoje em um único dia. É natural então que você se pergunte “por que você tem a impressão que o ano foi tão corrido se na verdade você viveu o equivalente a 25 anos”? Não seria de se esperar que você pudesse então realizar muitas coisas nesse tempo tão longo? A questão é que você não viajou a velocidade da luz, então o ano para você durou apenas 1 ano mesmo, só que a quantidade de informações que você recebeu equivale a ter vivido uns 25 anos, ou seja, você gastou muito mais tempo recebendo, processando e reagindo a informações do que as pessoas gastavam a 80 anos atrás. E isso consumiu o seu tempo e fez com que você tivesse a impressão que o ano se passou rápido demais. E então… O dia acabou!… O ano acabou!… Lá se foram 10 anos, as crianças cresceram, a velhice chegou, e assim, como se você nem percebesse, chegou o dia de morrer. Puxa, tanta coisa ainda por fazer!

E então chega a hora do grande encontro. Aquele encontro profundo com sua essência, com tudo que você conseguiu transformar em você, sua contribuição para o mundo, o que você fez de positivo, o que você fez de errado, o que você deixou de fazer. Isso não é uma crença ou um final surreal para essa história, há centenas de relatos, inclusive estudados pelos neurocientistas, de pessoas que voltaram de uma experiência de quase morte e que relatam que viram o filme de suas vidas. E então, será que você vai ter que assistir a aquele filme entediante das centenas de horas que você gastou no shopping, nas lojas, na TV, no computador, no celular ou no trânsito?

O fato é que os tempos mudaram rapidamente, atualmente, em dois dias se produz a mesma quantidade de informação do que toda a informação produzida até 2003 (Eric Schmidt). E a quantidade de informações vai continuar aumentando. Um dos reflexos disso é o estresse e as várias doenças físicas e psíquicas a ele associadas. Sua única saída é gerir o seu tempo, buscando o máximo de qualidade e significado para cada momento da sua vida. Para isso, uma das primeiras providências é selecionar as informações que chegam até você e seus familiares. Não espere que os meios de comunicação de massa tenham algum compromisso com a qualidade do que chega até você. Eles são mantidos pelas propagandas e as propagandas têm compromisso com as empresas e as empresas com seus donos ou acionistas. E os acionistas tem compromisso de investir o dinheiro onde ele rende mais dinheiro e isso só é possível através de mais propaganda e aí você entra na história. Aquela megaempresa que mais investe em propaganda é a que ganha mais dinheiro. Você só pode mudar isso se reverter essa lógica. Para isso, invista seu tempo em informações de qualidade, em aprofundar-se naquilo que lhe interessa e em comprar aquilo que vai fazer alguma diferença profunda em sua vida. Compre de preferência de negócios pequenos e locais, evite as grandes empresas, cheia de acionistas vorazes por mais dinheiro. Investir no seu autodesenvolvimento é um grande passo nessa direção: busque desenvolver velhos talentos e encontrar novos, busque se aproximar de seu propósito de vida, desvende seu inconsciente e livre-se de pesos e condicionamentos, aproprie-se de sua história de vida e continue a escrevê-la com cada vez mais significado e alegria.

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*Cecília Costa é diretora do Instituto SerMente Live, terapeuta de Constelação Familiar e Sistêmica, professora universitária, facilitadora de cursos de autodesenvolvimento.  Para ver a agenda de atividades oferecidas, clique aqui.

 

O que há em comum entre as pessoas que mudaram o mundo?

foto de 5 pessoas que mudaram o mundo para melhor

*Por Cecília Costa

Há algum tempo tenho interesse nessa pergunta e comecei a estudar as biografias de algumas pessoas que trouxeram grandes transformações para o mundo. De uma lista inicial de 15 nomes, escolhi cinco que fossem mundialmente reconhecidos por contribuir positivamente, que representassem culturas e/ou épocas distintas da humanidade (de 470 a.C até a atualidade) e que tivessem informações biográficas confiáveis e acessíveis. As cinco pessoas escolhidas foram: Platão, Leonardo da Vinci, Mahatma Gandhi, Albert Einstein e Dalai Lama. A ideia foi comparar a biografia dos cinco, a fim de identificar os pontos comuns e perceber aqueles que devem ter contribuído para o poder de transformação que essas pessoas tiveram (e ainda têm) na história da humanidade. Antes de investigarmos as similaridades, vou trazer um breve relato de cada um e suas contribuições.

Platão nasceu na Grécia provavelmente em 427 antes de Cristo e morreu em 347 a.C., aos 80 anos. Durante sua vida, sua principal motivação foi a formação de governantes conhecedores da filosofia e, portanto, capazes de reflexões mais profundas e éticas. Após algumas tentativas fracassadas de ensinar filosofia diretamente aos governantes, fundou a Academia, uma escola de adultos, que é considerada a 1ª instituição de ensino superior do ocidente. Platão recebia de jovens a idosos, dava aulas e escrevia suas ideias, deixando várias publicações que ainda hoje são relevantes, principalmente nos campos da filosofia, ética e política.

Leonardo da Vinci nasceu em Florença, na Itália em 14/4/1452 e morreu em 2/5/1519, aos 67 anos. Durante sua vida teve interesses e talentos diversificados, deixando contribuições importantes em diversas áreas. Talvez seu talento mais conhecido seja como pintor, sendo a Monalisa e a Santa Ceia algumas de suas obras mais famosas. No entanto, despontou-se ainda como cientista (para detalhes veja livro de Fritjof Capra dedicado a este assunto), matemático, engenheiro, arquiteto, músico, escritor (inclusive de fábulas), inventor (instrumentos musicais, bombas hidráulicas, canhões, helicóptero, escafandro e vários outros), anatomista (de animais, plantas e seres humanos, produzindo diversos desenhos científicos), escultor e botânico. É sem dúvida uma das mentes mais brilhantes que a humanidade já conheceu.

Mahatma Gandhi (Mohandas Karamchand Gandhi) nasceu na Índia em 2/10/1869 e morreu assassinado em 30/1/1948, aos 78 anos de idade. Sua principal motivação foi combater o preconceito e injustiças sociais, a partir da não violência e da força da verdade. Convencido da necessidade de transformar a si próprio para ser então capaz de transformar o seu entorno, Gandhi aplicou em sua própria vida todas as coisas que pregava. Fez jejum a fim de fortalecer sua vontade e persistência, teceu suas próprias roupas e extraiu o sal que consumia como forma de não contribuir com um comércio injusto e fundou e viveu em comunidades onde se vivenciava a produção de alimentos, o cuidado com a natureza e a fraternidade entre todos.

Albert Einstein nasceu na Alemanha em 14 de março de 1879 e faleceu em 18 de abril de 1955 aos 76 anos de idade. Desde cedo se sobressaiu no estudo da matemática e da física, sendo bastante curioso e inventivo. Einstein trouxe um salto para a física, quando em 1905, com apenas 26 anos, publicou 4 artigos revolucionários: o 1º sobre a dualidade entre partícula e onda, o 2º que provava que átomos eram reais e não abstrações, o 3º provou que a velocidade da luz era constante e que o tempo tornava-se mais lento para quem se aproximava dessa velocidade e o 4º estabelecia a equivalência entre matéria e energia (E=mc2). A teoria do Big Ban e a precisão do GPS são alguns dos desdobramentos de suas ideias. Ele que era um pacifista, sofreu imensamente ao testemunhar que suas ideias foram também usadas para a produção da bomba atômica na 2ª guerra mundial.

Dalai Lama Tenzin Gyatso, cujo nome de nascimento é Lhamo Dhondup, nasceu no Tibete em 6 de julho de 1935, filho de uma família de camponeses. Desde 1959 vive em Dharamsala, na Índia, onde conseguiu asilo político após a invasão do Tibete pelos chineses, quando milhares de tibetanos tiveram que deixar seu país. Desde então tem trabalhado intensamente pela libertação do Tibete e preservação de sua cultura. No entanto, suas ações extrapolam em muito a causa tibetana, sendo que hoje o Dalai Lama é uma referência mundial de trabalho pela paz, o que foi oficialmente reconhecido em 1989, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Algumas de suas ações concretas no mundo são: a) a publicação de dezenas de livros sobre ética, compaixão, meditação, educação mental, direitos humanos e da natureza, b) a participação em diálogos científicos com cientistas de todo o mundo e de diversas áreas, contribuindo para desenvolver as novas concepções científicas não materialistas, e c) visitas políticas a mais de 40 países, inspirando uma nova concepção política e democrática a partir de suas declarações e documentos políticos.

Analisando a biografia destas cinco personalidades, inclusive aspectos de sua infância e vida pessoal, encontrei 10 pontos em comum:

  1. Suas condições sociais iniciais variaram, mas nenhum deles teve uma infância com extremo de pobreza ou riqueza.
  2. Todos tiveram adultos que os apoiaram na infância, reconheceram seus talentos e buscaram as pessoas e locais propícios para seu desenvolvimento. Curiosidades: no caso do Dalai Lama, seus talentos foram percebidos ainda com 2 anos de idade (quando foi reconhecido ser a encarnação do 13º Dalai Lama, começando a ser educado para assumir a liderança política e espiritual de seu país já a partir dos 6 anos de idade). Leonardo foi o único cujos pais nunca moraram juntos, vivendo até cerca de 6 anos com sua mãe e depois com seu pai.
  3. Desde a infância, todos demonstravam grande curiosidade, interesse pelo mundo e disposição para aprender e criar, os quais persistiram até a velhice. Os cinco seguiram estudando, produzindo e escrevendo ao longo de toda a vida.
  4. Todos conseguiram atingir a 3ª idade e manter-se lúcidos (quem menos viveu foi Leonardo que morreu com 67 anos).
  5. Todos realizaram viagens para bem além dos locais de seus nascimentos, seja para complementar seus estudos, seja para difundir suas ideias.
  6. Todos chegaram a dar orientações aos governantes de seu tempo, mas sem assumir cargos políticos (com exceção do Dalai Lama que assumiu a liderança política e religiosa de seu país desde os 15 anos de idade).
  7. Todos chegaram a ser reconhecidos como figuras importantes ainda no seu tempo, o que demonstra suas habilidades em expandir suas ideias em setores diversos.
  8. Todos sacrificaram sua vida familiar. Três deles não se casaram e nem tiveram filhos (Platão, Leonardo Da Vinci e Dalai Lama) e os outros dois que tiveram filhos viveram a maior parte do tempo longe deles. Curiosidade: Tanto a 1ª esposa de Einstein quanto a esposa de Gandhi contribuíram ativamente no trabalho de seus maridos.
  9. Todos sofreram coerções e dificuldades diversas para colocar suas ideias e forma de ser no mundo, mas mesmo assim persistiram. Isso demonstra o grande valor da autoconfiança, que certamente foi construída na infância com o apoio dos adultos.
  10. Nenhum deles foi motivado por dinheiro ou poder, sendo que nenhum viveu uma vida de opulência. O poder que exerceram, e exercem ainda hoje, foi conquistado por seus conhecimentos, sabedoria e personalidade, e não por seus bens materiais.

Os pontos acima provavelmente não são requisitos obrigatórios para se empreender grandes mudanças no mundo, mas nos inspiram a perceber que aspectos são importantes de serem desenvolvidos em nós e em nossas crianças e os desafios pelos quais precisamos passar para colocar nossos talentos a serviço de um mundo melhor.

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*Cecília Costa é diretora do Instituto SerMente Livre, doutora em Ecologia, terapeuta em Constelação Familiar, pedagoga Waldorf e Aconselhadora Biográfica. Ministra palestras, cursos de autodesenvolvimento e atividades terapêuticas em várias cidades. Para ver nossa agenda de atividades, clique aqui.

Tomar a vida nas próprias mãos

mãos se desenhando Escher

Você é o autor e o leitor da história da sua própria vida. Inspire-se e realize sua grande obra!

Nosso desenvolvimento pessoal depende de tomarmos as rédeas de nossa própria vida e isso só pode ser feito se estivermos dispostos a aprender com o nosso passado, mudar o nosso presente e planejar o nosso futuro. Isso exige uma boa dose de coragem, tempo e determinação. A maioria de nós ainda responsabiliza a falta de tempo e de dinheiro para explicar o pouco cuidado consigo mesmo e as promessas, projetos e sonhos constantemente adiados.

Você realmente acredita que seu chefe, cônjuge, filhos, amigos ou família vão te dar atenção e prioridade quando você mesmo(a) se ignora? Você acredita que poderá ajudá-los quando você ainda não conseguiu ajudar a você próprio(a)? Você acha ser possível dar ao outro aquilo que você ainda não adquiriu para si mesmo? Claro que não é possível dar aquilo que não temos. O que estamos fazendo se não temos algo mas queremos dá-lo ao outro? Não temos tempo mas queremos dar nosso tempo ao outro, será que desta forma não estamos roubando o tempo do outro? Lembre-se que todo o tempo que você dá ao outro é também um tempo que o outro dá a você. Se isso é feito no automático, sem um real interesse pelo outro, é mais provável que estejamos roubando o tempo do outro.

O tempo é realmente algo muito precioso, não porque tempo seja dinheiro, mas porque tempo é vida, a sua vida e a vida do outro. E a vida é simplesmente o bem mais precioso que alguém pode ter. Talvez por comodismo e falta de motivação ela possa ser algo entediante, pesado e cansativo. Mas isso é uma escolha…, sim, é a sua escolha, ainda que você não saiba disso. Pois a vida é uma escola que te dá a oportunidade de aprender lições preciosas. A vida só te dá lições práticas e que você pode imediatamente experimentar, aplicar na própria vida. Se você acertou, parabéns, siga em frente e passe para o próximo nível! Se você errou, a vida está te dando uma excelente oportunidade de aprender, pois os erros são os melhores professores.

Vá em frente e seja autor de seu próprio livro didático, que é a história da sua própria vida! Mas lembre-se, para que esse livro seja realmente didático, para que você aprenda com ele, é preciso revisar as lições passadas, perceber onde estão os erros e acertos. E mais, é preciso planejar as próximas lições, pois o que será dos leitores se os autores não tiverem consciência, maestria e verdade naquilo que estão escrevendo?

Você é o autor e o leitor da sua própria vida e ninguém pode fazer isso por você. Inspire-se e realize sua grande obra!

Escrito por Cecília Costa, Instituto SerMente Livre

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Curso vivencial: Descobrindo seu propósito de vida

Os caminhos que tomamos na vida são o resultado da interação entre nossas crenças, uma diversidade de situações e algumas fatalidades. Ora fazemos escolhas, ora nos deixamos levar, ora somos arrastados apesar de resistirmos. Com tantas possibilidades é muito fácil que percamos de vista nosso propósito de vida, aquilo que nos permite usar e expandir o nosso potencial, colocando-o à disposição do mundo e nos desenvolvendo plenamente como ser humano. Você tem clareza de qual é seu propósito de vida? Sabe como colocá-lo em prática? Sabe o que ainda precisa desenvolver e como fazê-lo? Se você está buscando resposta para essas perguntas, esse curso foi feito para você.


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Qual o seu propósito de vida?

as escolhas que faço

(Por Cecília Costa)

Algumas vezes nos sentimos vazios, mesmo quando atingimos nossas metas e conquistamos o sucesso profissional e material. Antes de alcançarmos esse sucesso, podemos facilmente associar a nossa insatisfação pessoal à sua falta. Mas são muitos os exemplos dos bem-sucedidos que ainda assim estão deprimidos, ou têm pânico ou algum vício. Se você pensar um pouco certamente vai lembrar-se de algumas pessoas famosas ou mais próximas a você que se enquadram nessa situação.

No outro extremo, há pessoas extremamente humildes, com poucas posses, mas que andam de bem com a vida. Qual o segredo? Uma das razões é que estas pessoas sentem que estão no lugar certo, fazendo a coisa certa. Elas encontraram um propósito para estar ali, mesmo que as condições sejam difíceis e duras.

Encontrar um propósito para as nossas vidas nos dá força, resiliência e criatividade, pois sentimos que vale a pena passar por todas as dificuldades. Mas cada um precisa encontrar o seu próprio propósito. Cada ser humano é único e o que faz sentido para um pode não ter o menor valor para outro. Algumas pessoas encontram propósito em cuidar de sua família, outras em ajudar pessoas estranhas, outras em produzir comidas saudáveis e saborosas, outras em cuidar das plantas ou dos animais. Mas uma coisa é certa, o nosso propósito de vida é sempre no sentido de colocar os nossos dons, talentos e experiências em prol de outros seres.

E você, sente que está realizando seu propósito de vida? Veja mais em Descobrindo seu propósito de vida.

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