Alimentos não convencionais: saúde, economia e sustentabilidade

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Em todo o mundo há em torno de 300 mil espécies de plantas, sendo que cerca de 10% delas (ou seja, 30.000 espécies) possuem partes comestíveis. Apesar disso, apenas 20 espécies de plantas são a base de 90% da alimentação mundial. No Brasil, o país da biodiversidade, a realidade também é essa, apesar de alguns indícios de mudança. Na última década, por exemplo, o açaí e o cupuaçu, ambos da Amazônia, ganharam status comercial em nosso país. Como podemos explicar o fato das espécies comumente usadas como alimento em nosso país ainda serem as mesmas que nossos ancestrais aprenderam a cultivar nos primórdios da agricultura? Uma das razões é que a cultura da colonização foi bastante agressiva, impondo aos povos invadidos sua cultura e visão de mundo. É bom lembrar que os colonizadores vieram de países temperados, onde as florestas eram dominadas por poucas espécies de árvores, assemelhando-se mais às nossas plantações de Pinus ou Eucalipto, espécies trazidas por eles.

Esse cenário se mantém até hoje, pois, os povos indígenas que conheciam e conhecem nossa biodiversidade foram mortos, marginalizados, confinados em reservas e até hoje não demos um lugar para eles em nossas universidades, eles que ainda hoje são os maiores conhecedores da biodiversidade brasileira e seus usos. Se hoje comemos mandioca, biscoito de polvilho, pão de queijo e tantas outras iguarias retiradas da mandioca, nós devemos isso a eles. Infelizmente, a mandioca é um caso isolado, sendo que continuamos ignorantes sobre os usos que podemos dar para as milhares de espécies de plantas que dispomos.

Um fator recente, mas que vem agravar bastante a situação de nosso empobrecimento alimentar são os transgênicos. Hoje algumas poucas corporações criam espécies transgênicas, sendo que justamente as espécies mais consumidas mundialmente são o alvo de suas pesquisas. Assim, em apenas 10 anos vimos surgir em nossas prateleiras vários alimentos com o rótulo de transgênicos. Isso porque a soja e o milho, que são a base da alimentação mundial, foram escolhidos como alvos para o desenvolvimento dos transgênicos. O trigo, o feijão e o arroz também estão indo para o mesmo caminho. Desta forma, poucas empresas detém o monopólio dos alimentos mais consumidos em todo o mundo.

Além disso, como a alimentação de todo o mundo é baseada nas mesmas espécies, no mundo inteiro a vegetação nativa é dizimada para dar lugar às monoculturas. Porém, junto com a monocultura vem também os agrotóxicos e os herbicidas, de modo que nossa alimentação, além de tornar-se pobre em diversidade e nutrientes (pois o solo se esgota com a monocultura) passa a ser contaminada com veneno, o qual também contamina nossa água.

Como resolver tamanho problema, que ameaça nossa saúde, segurança e soberania alimentar? A única saída é tratarmos de nos apropriar de nossa biodiversidade e aprendermos a usá-la em nosso favor e com responsabilidade. Não precisamos ir para a Amazônia para ter contato com ela. Nas cidades onde vivemos há praças, quintais, áreas verdes, lotes vagos e calçadas repletos de plantas que até então ignoramos ou chamamos de mato, pragas ou, na melhor das hipóteses, de jardins. Há muito mais alimentos no mundo do que possa imaginar sua vã sabedoria. Conheça os alimentos não convencionais e amplie seus horizontes e nossos ecossistemas, pois até agora eles estão encolhendo-se rapidamente.

Texto de autoria de Cecilia Costa, Instituto SerMente Livre.

Para saber mais, veja Inove seu cardápio e Culinária com alimentos não convencionais.

Diversifique e inove seu cardápio

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A diversidade de alimentos que compõe a alimentação humana vem diminuindo drasticamente. Há algumas décadas atrás cerca de 30 tipos de grãos compunham a alimentação humana, mas hoje, em todo o mundo ela é baseada principalmente em 5 tipos de grãos (arroz, feijão, milho, soja, trigo). Essa drástica redução da diversidade alimentar aumenta as monoculturas, o desmatamento, o gasto de água na agricultura, o uso de agrotóxicos e o desenvolvimento de transgênicos. No Brasil, cada pessoa ingere por ano mais de 5 litros de agrotóxicos, o que compromete profundamente a nossa saúde e de nossos ecossistemas. Nossa segurança alimentar depende de encontrarmos novas fontes de alimentos, adaptadas a cada localidade de modo que cresçam sem necessidade de irrigação e de venenos. Estes alimentos existem, mas são tratados por nossa agricultura como ervas daninhas e raramente são comercializados.

A solução é inovar na alimentação, através do resgate dos hábitos alimentares não convencionais. Você pode fazer isso visitando comunidades tradicionais e adquirindo mudas e receitas, conversando com os mais velhos, pesquisando nos livros de receitas antigos e investindo em livros e cursos sobre o tema. O ideal é você ter a oportunidade de aprender a identificar e preparar estes alimentos.

Pensando nisso, o Instituto SerMente Livre criou o curso “Culinária com alimentos não convencionais”, onde você irá aprender a reconhecer e preparar deliciosos e nutritivos pratos com alimentos que crescem espontaneamente em sua região. O curso está disponível na região metropolitana de Recife, PE e Belo Horizonte, MG, mas você pode solicitar um curso na sua região!

Para saber mais sobre o assunto: Filme: O veneno está na mesa.

Para inscrever-se ou ter mais informações, clique aqui.

Texto escrito por Cecília Costa