Adoção e a fidelidade da criança pela família de origem: uma visão sistêmica da adoção

michelangelo adoção

Mesmo que a criança adotada não se lembre dos pais biológicos, ela pode se manter conectada a eles e fiel aos seus valores em uma tentativa inconsciente de demonstrar o seu amor e resgatar a dignidade dos pais

 

A adoção de crianças pode ser uma prática benéfica, mas para que isso ocorra é importante que se tenha consciência de alguns aspectos importantes.

Sistemicamente a melhor solução é o empoderamento dos pais para que assumam a responsabilidade por seus próprios filhos. Apenas quando isso não é possível e nem há algum familiar em condições de assumir a guarda das crianças é que a ajuda de terceiros é uma boa possibilidade. O ideal é que essa ajuda venha inicialmente de um tutor, ou seja, alguém que possa cuidar das crianças até que seus pais biológicos tenham condições de recebê-las de volta. É pela falta de famílias tutoras que muitas crianças ficam em abrigos aguardando decisões judiciais (para ser um tutor, o 1º passo é se cadastrar na vara da infância e da juventude de seu município). Quando não é de fato possível restituir as crianças às suas famílias de origem é que a adoção por terceiros pode ser de fato benéfica a todos. No entanto, para isso é importante que a motivação principal da família adotante não seja apenas de resolver uma carência sua. O foco é a criança, sua saúde física, mental e emocional. A família tutora e a família adotiva precisam nutrir isso conscientemente e perceber que estão se disponibilizando a colaborarem com os pais biológicos, a continuar o trabalho que estes não estão em condições de dar prosseguimento.

Independente de qual seja o papel desempenhado, é importante saber que, para ajudar uma criança, é preciso ter os pais dela no coração. Isso significa incluí-los, acolhê-los, mesmo que você não os conheça pessoalmente, sem julgamento, sem criticas à sua conduta. Isso é extremamente importante, pois a criança originou-se fisicamente dos seus pais biológicos, cada célula de seu corpo contém 50% do pai e 50% de sua mãe. Uma falta de aceitação dos pais biológicos pode fazer com que a criança se rebele contra os pais adotivos, ou ainda, caso ela própria não aceite seus pais biológico, torne-se depressiva ou somatize doenças como, por exemplo, as doenças autoimunes, onde o corpo rejeita a si próprio. Portanto, por mais difícil que tenha sido o destino de uma criança, cuide para que seus sentimentos não sejam de pena pela criança e de revolta contra seus pais. É preciso ter um olhar de respeito pelo destino da criança, ainda que você não concorde com ele. Aceitar a realidade da forma como ela se apresentou até então pode ser algo difícil, mas é importante. Isso não significa que os pais não serão punidos pelos delitos que tenham cometido, significa que você cuida da criança sem a necessidade de julgá-los (a menos que você seja o profissional incumbido de deliberar sobre o caso, mas neste caso não será você que cuida da criança).

As crianças adotadas pertencem ao sistema familiar dos pais biológicos e, se tudo correr bem, também dos pais adotivos. Quando digo que elas pertencem estou dizendo biológica e energeticamente, pois juridicamente, o Estatuto da Criança e do Adolescente não reconhece o pertencimento aos pais biológicos, apenas aos adotivos. O nome e o sobrenome dos pais biológicos são removidos da certidão de nascimento. Independente das razões para tal, o fato é que os pais biológicos são excluídos. No entanto, existem leis naturais que sobrepõe-se às leis jurídicas e que vão além da consciência do indivíduo, é a consciência do sistema familiar a que esse indivíduo pertence (se isso é novidade para você, leia mais sobre “Constelação Familiar”, onde cada uma destas leis foi sistematizada pelo alemão Bert Hellinger, a partir de centenas de verificações). Uma destas leis diz que todos que nascem em uma família têm direito de pertencer a ela. Quando esse direito não é respeitado, desajustes sistêmicos podem ocorrer. Tais desajustes são tentativas da consciência do sistema familiar de reequilibrar o sistema, de compensar a exclusão. Os desajustes mais comuns nestes casos são abortos ou divórcio do casal adotante. Isso funciona como uma compensação sistêmica: “o sacrifício da relação de casal como uma compensação por privar os pais naturais de seus filhos”. Portanto, para evitar os efeitos dessa exclusão, é extremamente importante que os pais adotivos incluam os pais biológicos no coração. Em outras palavras, que ao olhar para seus filhos adotivos, os pais possam ver neles a obra-prima dos pais biológicos e reconhecer a importância deles na vida dessa nova família.

Mesmo que a criança não se lembre dos pais biológicos, ela pode querer demonstrar o seu amor e tentar recuperar a dignidade deles se mantendo fiel aos seus valores. Vou ilustrar isso trazendo uma situação real que ocorreu durante uma constelação familiar para tratar de um comportamento desajustado de uma criança adotada. O pai adotivo relatou que a criança adotada (com 8 anos) estava furtando os objetos escolares de seus colegas. Então, para dar início à constelação familiar, o terapeuta solicitou ao pai que escolhesse algumas pessoas do grupo para representarem as pessoas envolvidas nesse sistema familiar. Foram escolhidos representantes para a família biológica: o pai, a mãe, a avó e a irmã da criança e representantes para os pais adotivos. Então foi dado início ao processo e a consciência do sistema familiar pôde ser acessada por cada um dos membros ali representados que começaram a trazer sintomas e sentimentos dos membros reais. Nesse caso específico chamou a atenção o amor que a criança sentia por seu pai biológico. Envolta em lágrimas e abraçada a ele, a representante da criança dizia: “Papai, você é o pai mais bom do mundo”. Nesse momento o terapeuta perguntou ao pai adotivo o que tinha acontecido com o pai biológico, ele relatou que este estava preso por furto. Assim, o que a criança estava demonstrando ao furtar objetos na escola era uma fidelidade ao seu pai e uma forma inconsciente de dizer: “Eu sou como o meu pai. Apesar de tirar coisas de meus colegas eu sou uma pessoa boa, o meu pai também é bom.” A solução para essa constelação foi o pai adotivo reconhecer e aceitar esse amor da criança adotada por seu pai biológico e ao reconhecer isso os representantes dos pais biológicos puderam ser gratos aos pais adotivos por eles estarem cuidando de suas filhas (no caso, eram duas irmãs). É dessa forma que a criança adotada pode passar de fato a fazer parte da família adotiva, quando aceita essa nova família em seu coração por perceber que seus pais biológicos são reconhecidos e que seu amor por eles é aceito.

É claro que todas estas questões são complexas e podem ser bastante desafiadoras para todas as partes envolvidas: a criança, a família biológica, a família tutora e a família adotiva. A Constelação Familiar é uma ferramenta terapêutica muito eficiente para descobrir onde estão os desajustes sistêmicos e harmonizar as relações na família de origem e na nova família da criança, devolvendo e honrando o lugar e o papel de cada um dentro do sistema familiar.  Quando cada um ocupa o seu lugar e desempenha o seu papel com consciência, sem se sentir superior ou inferior aos outros membros do sistema, a adoção pode ser um instrumento maravilhoso de parceria e uma oportunidade real de desenvolver a forma mais elevada de amor, o amor incondicional. Antes de querer julgar os pais biológicos, pense que em um mundo perfeito, com situações e pessoas perfeitas, o amor, a fraternidade e a tolerância não teriam nascido. É exatamente nas circunstâncias difíceis que estão às oportunidades para que cresçam em nós as virtudes capazes de nos humanizar. É com esse olhar que você pode incluir os pais biológicos em seu coração, como dádivas em seu caminho de evolução.

Texto de autoria de Cecília Costa*

*Cecília Costa é diretora do Instituto SerMente Livre, terapeuta em Constelação Familiar e Pedagoga Waldorf.

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Constelação biográfica

livro aberto na vertical na paisage

A constelação biográfica é uma junção de duas potentes terapias: o aconselhamento biográfico e a constelação familiar. Ao longo desse processo você terá a oportunidade de escrever e aprender com o livro de sua própria vida. Ao rever cada setênio de sua vida (períodos de 7 anos), você poderá ressignificar acontecimentos, relacionamentos, enfermidades e crises. Situações que ficaram mal resolvidas serão trabalhadas, de forma que você poderá transformá-las em aprendizados e força. A constelação biográfica é conduzida em no mínimo 10 seções, dependendo de sua idade e seus objetivos. Ao longo do processo são aplicadas técnicas de aconselhamento biográfico, terapia artística, constelação familiar e meditação, em uma abordagem baseada na Antroposofia e na visão sistêmica.

Data: a combinar

Valor: 130 reais por seção

Local: Rua Caputira, 21. Floresta, Belo Horizonte, MG.

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Tornando-se leve: dissolvendo as mágoas, liberando pesos e pessoas

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Nossa história de vida está repleta de momentos desafiadores. Cada um destes momentos pode ser uma grande oportunidade de aprendizado, de aprimoramento, de mudanças positivas. No entanto, em grande parte das vezes tais dificuldades podem ser somatizadas em doenças, mágoas ou pesos em nossas vidas. Mas você pode mudar isso! Transforme sua dor, raiva e medo em forças positivas, assuma seu lugar, libere pesos e pessoas e torne-se uma pessoa mais feliz, plena, leve e amorosa.

Facilitação: Cecília Costa, PhD.

Data: 19 e 20 de maio/16

Local: Rua Sebastião de Barros, 166. Nova Granada, Belo Horizonte, MG.

Investimento: 200 reais (inscrições até 10 dias antes do evento tem 10% de desconto).

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Renascer: Significando 2015 e co-criando 2016

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O agora está sempre disponível para você agir, mas para criar ações positivas e transformadoras é preciso aprender com o passado e projetar o futuro desejado. A passagem de ano é um convite para deixar morrer o velho e dar luz ao novo. É a oportunidade de renascer para a vida, para as relações, para as ações e, principalmente, para você mesmo. Nesta oficina você será guiado a significar e aprender com 2015 e a dar forma e planejar 2016 para que você seja um co-criador ativo de sua realidade.

Venha empreender sua própria vida!

Facilitação: Cecília Costa

Investimento: Você escolhe com quanto quer colaborar financeiramente, buscando um equilíbrio entre o que você recebeu e o que você pode/quer dar).

Informações: sermentelivre@gmail.com ou (31)3164-0785 e (31)4062-7339 ou (31)97134-9246 (W’App).

FanPage: http://www.facebook.com/sermentelivre

Por que você dá presentes?

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O ato de presentear é mais antigo do que a própria humanidade, pois até mesmo os animais se presenteiam. No entanto, a espécie humana ampliou este costume para além dos laços familiares e é fato que jamais se presenteou tanto como nos dias atuais. O ato de presentear é considerado nobre para quem dá e sorte de quem recebe. No entanto, os interesses econômicos tem distorcido bastante este gesto, de modo que é importante que possamos fazê-lo com consciência sobre o que ele de fato significa para quem dá, para quem recebe e para quem produz.

Assim, para aprofundarmos melhor nesta reflexão, marque a principal razão pela qual você dá presentes. Por favor, seja o mais honesto que puder consigo mesmo (somente você saberá qual foi sua resposta).

 

Agora que você tem mais consciência sobre o que está por trás do seu gesto de presentear, veja se você pode melhorar sua atitude. Perceba porque isso é importante:

Hoje estamos em tempos de excessos. Se você convive com crianças sabe o quanto elas estão abarrotadas de presentes. Tantas opções acabam por saturar a criança que muitas vezes não se interessa de fato por nenhum dos presentes. Isso traz vários prejuízos tanto cognitivos (falta de concentração, de profundidade) como emocionais (falta de vínculo, consumismo). Então reveja o seu hábito de presentear. Não presentei só para manter o costume ou para suprir sua necessidade de ser amado, ou de não se sentir constrangido ou culpado.

Cuidado, pois o marketing usa de todas as ferramentas possíveis para fazer você comprar ou para fazer com que as crianças o convençam disso. Se você não estiver consciente disso, será fácil transformar desejo de felicidade, baixa autoestima e culpa em presentes. O problema é que estes sentimentos não serão realmente resolvidos, você terá sido manipulado, alguém vai receber mais um objeto que rapidamente vai ser descartado e a natureza e as pessoas vão continuar sendo exploradas para a produção de mais materiais. Lembre-se que a maior parte do que compramos atualmente vem da China, pois é lá que a mão de obra é abundante e as leis são tão frágeis que é possível produzir barato, pois o preço não inclui nem os ônus sociais e nem ambientais. Então pense em tudo isso para que você possa de fato sentir que está contribuindo para um mundo mais feliz e amoroso e para um desenvolvimento saudável da pessoa que está sendo presenteada.

O melhor presente que você pode dar a alguém é sua presença plena, amorosa e seu compromisso em ser alguém melhor.

Este artigo é de autoria de Cecília Costa, doutora em Ecologia, Pedagoga Waldorf, terapeuta em Constelação Familiar e diretora do Instituto SerMente Livre.

Para receber mais artigos ou saber sobre atividades para seu autodesenvolvimento, clique aqui.

Por que você dá presentes?

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O ato de presentear é mais antigo do que a própria humanidade, pois até mesmo os animais se presenteiam. No entanto, a espécie humana ampliou este costume para além dos laços familiares e é fato que jamais se presenteou tanto como nos dias atuais. O ato de presentear é considerado nobre para quem dá e sorte de quem recebe. No entanto, os interesses econômicos tem distorcido bastante este gesto, de modo que é importante que possamos fazê-lo com consciência sobre o que ele de fato significa para quem dá, para quem recebe e para quem produz.

Assim, para aprofundarmos melhor nesta reflexão, marque a principal razão pela qual você dá presentes. Por favor, seja o mais honesto que puder consigo mesmo (somente você saberá qual foi sua resposta).

 

Agora que você tem mais consciência sobre o que está por trás do seu gesto de presentear, veja se você pode melhorar sua atitude. Perceba porque isso é importante:

Hoje estamos em tempos de excessos. Se você convive com crianças sabe o quanto elas estão abarrotadas de presentes. Tantas opções acabam por saturar a criança que muitas vezes não se interessa de fato por nenhum dos presentes. Isso traz vários prejuízos tanto cognitivos (falta de concentração, de profundidade) como emocionais (falta de vínculo, consumismo). Então reveja o seu hábito de presentear. Não presentei só para manter o costume ou para suprir sua necessidade de ser amado, ou de não se sentir constrangido ou culpado. Nestes casos, pense em formas mais eficientes de resolver suas carências ou culpas. À medida que você se aprofunda nas suas dores, nas suas sombras, você se torna uma pessoa mais verdadeira, mais humana e vai aprender a transformar dificuldades em profundidade, em sabedoria e em amor próprio, o que naturalmente vai fazer com que as pessoas desfrutem cada vez mais da sua presença. Cuidado, pois o marketing usa de todas as ferramentas possíveis para fazer você comprar ou para fazer com que as crianças o convençam disso. Se você não estiver consciente disso, será fácil transformar baixa autoestima e culpa em presentes. O problema é que estes sentimentos não serão realmente resolvidos, você terá sido manipulado, alguém vai receber mais um objeto que rapidamente vai ser descartado e a natureza e as pessoas vão continuar sendo exploradas para a produção de mais materiais. Lembre-se que a maior parte do que compramos atualmente vem da China, pois é lá que a mão de obra é abundante e as leis são tão frágeis que é possível produzir barato, pois o preço não inclui nem os ônus sociais e nem ambientais. Então pense em tudo isso para que você possa de fato sentir que está contribuindo para um natal mais feliz e amoroso e um ano novo com mais paz e saúde.

O melhor presente que você pode dar a alguém é transformar a si mesmo. Invista no seu auto-desenvolvimento, em ações que te tornem uma pessoa mais consciente, verdadeira, amorosa, livre, leve e íntegra. Se você quer receber gratuitamente artigos e atividades que contribuam para seu auto-desenvolvimento, clique aqui

Este artigo é de autoria de Cecília Costa, doutora em Ecologia, Pedagoga Waldorf, terapeuta em Constelação Familiar e diretora do Instituto SerMente Livre.

Por que os anos estão se passando cada vez mais rápido?

anos passando 2016

*Por Cecília Costa

Quem é que não se viu dizendo: O ano já está acabando? Passou tão depressa… tantas coisas que eu ainda gostaria de fazer. Entra ano sai ano e nós cada vez mais espantados com a rapidez do tempo. Será por que? Se lembra da teoria da relatividade de Einstein? Ela diz que o tempo é relativo, ele se torna mais lento à medida que nos aproximamos da velocidade da luz. E o que isso tem a ver com o seu tempo? Bem, a velocidade dos tempos atuais é bem maior do que a 80 anos atrás, quando TV ainda era raridade; ou do que a 30 anos, quando computador era raridade; ou do que a 20 anos quando quase não havia celular, ou mesmo do que a 5 anos quando não havia Smart Phone ou Tablet. Eu nem estou considerando que a velocidade dos meios de transporte aumentou. Estou apenas considerando que a quantidade de informações que você recebe por dia aumentou vertiginosamente (2,4% ao ano entre 1980 e 2008) e que você leva em média 11,8 horas diária recebendo informação. Pense só, 60 anos atrás as pessoas recebiam informações principalmente a partir de seus vizinhos, as vezes do rádio ou de algum jornal escrito (mas lembre-se que nessa época a maior parte das pessoas vivia na zona rural e sem luz, de modo que rádio, só enquanto durasse a pilha, e jornal era raridade). A quantidade de informações novas que uma pessoa tinha ao longo de um dia era quase nada ou uns poucos fatos corriqueiros. Isso significa que naquela época você teria que viver cerca de 25 anos (considerando 30 minutos por dia dedicados à informação) para ter a quantidade de informações que você tem hoje em um único dia. É natural então que você se pergunte “por que você tem a impressão que o ano foi tão corrido se na verdade você viveu o equivalente a 25 anos”? Não seria de se esperar que você pudesse então realizar muitas coisas nesse tempo tão longo? A questão é que você não viajou a velocidade da luz, então o ano para você durou apenas 1 ano mesmo, só que a quantidade de informações que você recebeu equivale a ter vivido uns 25 anos, ou seja, você gastou muito mais tempo recebendo, processando e reagindo a informações do que as pessoas gastavam a 80 anos atrás. E isso consumiu o seu tempo e fez com que você tivesse a impressão que o ano se passou rápido demais. E então… O dia acabou!… O ano acabou!… Lá se foram 10 anos, as crianças cresceram, a velhice chegou, e assim, como se você nem percebesse, chegou o dia de morrer. Puxa, tanta coisa ainda por fazer!

E então chega a hora do grande encontro. Aquele encontro profundo com sua essência, com tudo que você conseguiu transformar em você, sua contribuição para o mundo, o que você fez de positivo, o que você fez de errado, o que você deixou de fazer. Isso não é uma crença ou um final surreal para essa história, há centenas de relatos, inclusive estudados pelos neurocientistas, de pessoas que voltaram de uma experiência de quase morte e que relatam que viram o filme de suas vidas. E então, será que você vai ter que assistir a aquele filme entediante das centenas de horas que você gastou no shopping, nas lojas, na TV, no computador, no celular ou no trânsito?

O fato é que os tempos mudaram rapidamente, atualmente, em dois dias se produz a mesma quantidade de informação do que toda a informação produzida até 2003 (Eric Schmidt). E a quantidade de informações vai continuar aumentando. Um dos reflexos disso é o estresse e as várias doenças físicas e psíquicas a ele associadas. Sua única saída é gerir o seu tempo, buscando o máximo de qualidade e significado para cada momento da sua vida. Para isso, uma das primeiras providências é selecionar as informações que chegam até você e seus familiares. Não espere que os meios de comunicação de massa tenham algum compromisso com a qualidade do que chega até você. Eles são mantidos pelas propagandas e as propagandas têm compromisso com as empresas e as empresas com seus donos ou acionistas. E os acionistas tem compromisso de investir o dinheiro onde ele rende mais dinheiro e isso só é possível através de mais propaganda e aí você entra na história. Aquela megaempresa que mais investe em propaganda é a que ganha mais dinheiro. Você só pode mudar isso se reverter essa lógica. Para isso, invista seu tempo em informações de qualidade, em aprofundar-se naquilo que lhe interessa e em comprar aquilo que vai fazer alguma diferença profunda em sua vida. Compre de preferência de negócios pequenos e locais, evite as grandes empresas, cheia de acionistas vorazes por mais dinheiro. Investir no seu autodesenvolvimento é um grande passo nessa direção: busque desenvolver velhos talentos e encontrar novos, busque se aproximar de seu propósito de vida, desvende seu inconsciente e livre-se de pesos e condicionamentos, aproprie-se de sua história de vida e continue a escrevê-la com cada vez mais significado e alegria.

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*Cecília Costa é diretora do Instituto SerMente Live, terapeuta de Constelação Familiar e Sistêmica, professora universitária, facilitadora de cursos de autodesenvolvimento.  Para ver a agenda de atividades oferecidas, clique aqui.

 

ENTREVISTA | Constelação Familiar e Sistêmica, com Cecília Costa

 

familia olhando horizonte

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A constelação familiar e sistêmica é uma técnica terapêutica breve que te permite representar, compreender e solucionar problemas que estão impedindo sua vida de fluir harmonicamente.

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O que há em comum entre as pessoas que mudaram o mundo?

foto de 5 pessoas que mudaram o mundo para melhor

*Por Cecília Costa

Há algum tempo tenho interesse nessa pergunta e comecei a estudar as biografias de algumas pessoas que trouxeram grandes transformações para o mundo. De uma lista inicial de 15 nomes, escolhi cinco que fossem mundialmente reconhecidos por contribuir positivamente, que representassem culturas e/ou épocas distintas da humanidade (de 470 a.C até a atualidade) e que tivessem informações biográficas confiáveis e acessíveis. As cinco pessoas escolhidas foram: Platão, Leonardo da Vinci, Mahatma Gandhi, Albert Einstein e Dalai Lama. A ideia foi comparar a biografia dos cinco, a fim de identificar os pontos comuns e perceber aqueles que devem ter contribuído para o poder de transformação que essas pessoas tiveram (e ainda têm) na história da humanidade. Antes de investigarmos as similaridades, vou trazer um breve relato de cada um e suas contribuições.

Platão nasceu na Grécia provavelmente em 427 antes de Cristo e morreu em 347 a.C., aos 80 anos. Durante sua vida, sua principal motivação foi a formação de governantes conhecedores da filosofia e, portanto, capazes de reflexões mais profundas e éticas. Após algumas tentativas fracassadas de ensinar filosofia diretamente aos governantes, fundou a Academia, uma escola de adultos, que é considerada a 1ª instituição de ensino superior do ocidente. Platão recebia de jovens a idosos, dava aulas e escrevia suas ideias, deixando várias publicações que ainda hoje são relevantes, principalmente nos campos da filosofia, ética e política.

Leonardo da Vinci nasceu em Florença, na Itália em 14/4/1452 e morreu em 2/5/1519, aos 67 anos. Durante sua vida teve interesses e talentos diversificados, deixando contribuições importantes em diversas áreas. Talvez seu talento mais conhecido seja como pintor, sendo a Monalisa e a Santa Ceia algumas de suas obras mais famosas. No entanto, despontou-se ainda como cientista (para detalhes veja livro de Fritjof Capra dedicado a este assunto), matemático, engenheiro, arquiteto, músico, escritor (inclusive de fábulas), inventor (instrumentos musicais, bombas hidráulicas, canhões, helicóptero, escafandro e vários outros), anatomista (de animais, plantas e seres humanos, produzindo diversos desenhos científicos), escultor e botânico. É sem dúvida uma das mentes mais brilhantes que a humanidade já conheceu.

Mahatma Gandhi (Mohandas Karamchand Gandhi) nasceu na Índia em 2/10/1869 e morreu assassinado em 30/1/1948, aos 78 anos de idade. Sua principal motivação foi combater o preconceito e injustiças sociais, a partir da não violência e da força da verdade. Convencido da necessidade de transformar a si próprio para ser então capaz de transformar o seu entorno, Gandhi aplicou em sua própria vida todas as coisas que pregava. Fez jejum a fim de fortalecer sua vontade e persistência, teceu suas próprias roupas e extraiu o sal que consumia como forma de não contribuir com um comércio injusto e fundou e viveu em comunidades onde se vivenciava a produção de alimentos, o cuidado com a natureza e a fraternidade entre todos.

Albert Einstein nasceu na Alemanha em 14 de março de 1879 e faleceu em 18 de abril de 1955 aos 76 anos de idade. Desde cedo se sobressaiu no estudo da matemática e da física, sendo bastante curioso e inventivo. Einstein trouxe um salto para a física, quando em 1905, com apenas 26 anos, publicou 4 artigos revolucionários: o 1º sobre a dualidade entre partícula e onda, o 2º que provava que átomos eram reais e não abstrações, o 3º provou que a velocidade da luz era constante e que o tempo tornava-se mais lento para quem se aproximava dessa velocidade e o 4º estabelecia a equivalência entre matéria e energia (E=mc2). A teoria do Big Ban e a precisão do GPS são alguns dos desdobramentos de suas ideias. Ele que era um pacifista, sofreu imensamente ao testemunhar que suas ideias foram também usadas para a produção da bomba atômica na 2ª guerra mundial.

Dalai Lama Tenzin Gyatso, cujo nome de nascimento é Lhamo Dhondup, nasceu no Tibete em 6 de julho de 1935, filho de uma família de camponeses. Desde 1959 vive em Dharamsala, na Índia, onde conseguiu asilo político após a invasão do Tibete pelos chineses, quando milhares de tibetanos tiveram que deixar seu país. Desde então tem trabalhado intensamente pela libertação do Tibete e preservação de sua cultura. No entanto, suas ações extrapolam em muito a causa tibetana, sendo que hoje o Dalai Lama é uma referência mundial de trabalho pela paz, o que foi oficialmente reconhecido em 1989, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Algumas de suas ações concretas no mundo são: a) a publicação de dezenas de livros sobre ética, compaixão, meditação, educação mental, direitos humanos e da natureza, b) a participação em diálogos científicos com cientistas de todo o mundo e de diversas áreas, contribuindo para desenvolver as novas concepções científicas não materialistas, e c) visitas políticas a mais de 40 países, inspirando uma nova concepção política e democrática a partir de suas declarações e documentos políticos.

Analisando a biografia destas cinco personalidades, inclusive aspectos de sua infância e vida pessoal, encontrei 10 pontos em comum:

  1. Suas condições sociais iniciais variaram, mas nenhum deles teve uma infância com extremo de pobreza ou riqueza.
  2. Todos tiveram adultos que os apoiaram na infância, reconheceram seus talentos e buscaram as pessoas e locais propícios para seu desenvolvimento. Curiosidades: no caso do Dalai Lama, seus talentos foram percebidos ainda com 2 anos de idade (quando foi reconhecido ser a encarnação do 13º Dalai Lama, começando a ser educado para assumir a liderança política e espiritual de seu país já a partir dos 6 anos de idade). Leonardo foi o único cujos pais nunca moraram juntos, vivendo até cerca de 6 anos com sua mãe e depois com seu pai.
  3. Desde a infância, todos demonstravam grande curiosidade, interesse pelo mundo e disposição para aprender e criar, os quais persistiram até a velhice. Os cinco seguiram estudando, produzindo e escrevendo ao longo de toda a vida.
  4. Todos conseguiram atingir a 3ª idade e manter-se lúcidos (quem menos viveu foi Leonardo que morreu com 67 anos).
  5. Todos realizaram viagens para bem além dos locais de seus nascimentos, seja para complementar seus estudos, seja para difundir suas ideias.
  6. Todos chegaram a dar orientações aos governantes de seu tempo, mas sem assumir cargos políticos (com exceção do Dalai Lama que assumiu a liderança política e religiosa de seu país desde os 15 anos de idade).
  7. Todos chegaram a ser reconhecidos como figuras importantes ainda no seu tempo, o que demonstra suas habilidades em expandir suas ideias em setores diversos.
  8. Todos sacrificaram sua vida familiar. Três deles não se casaram e nem tiveram filhos (Platão, Leonardo Da Vinci e Dalai Lama) e os outros dois que tiveram filhos viveram a maior parte do tempo longe deles. Curiosidade: Tanto a 1ª esposa de Einstein quanto a esposa de Gandhi contribuíram ativamente no trabalho de seus maridos.
  9. Todos sofreram coerções e dificuldades diversas para colocar suas ideias e forma de ser no mundo, mas mesmo assim persistiram. Isso demonstra o grande valor da autoconfiança, que certamente foi construída na infância com o apoio dos adultos.
  10. Nenhum deles foi motivado por dinheiro ou poder, sendo que nenhum viveu uma vida de opulência. O poder que exerceram, e exercem ainda hoje, foi conquistado por seus conhecimentos, sabedoria e personalidade, e não por seus bens materiais.

Os pontos acima provavelmente não são requisitos obrigatórios para se empreender grandes mudanças no mundo, mas nos inspiram a perceber que aspectos são importantes de serem desenvolvidos em nós e em nossas crianças e os desafios pelos quais precisamos passar para colocar nossos talentos a serviço de um mundo melhor.

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*Cecília Costa é diretora do Instituto SerMente Livre, doutora em Ecologia, terapeuta em Constelação Familiar, pedagoga Waldorf e Aconselhadora Biográfica. Ministra palestras, cursos de autodesenvolvimento e atividades terapêuticas em várias cidades. Para ver nossa agenda de atividades, clique aqui.