Uma terapia para a alma

family colorida

Embora a palavra alma ainda figure para muitos como algo abstrato e até mesmo duvidoso, é possível observá-la a partir de suas três qualidades: o pensar, o sentir e o querer. Os conflitos surgem na alma quando forças contrárias nos dividem, provocando uma incoerência entre o que pensamos, sentimos e fazemos. Muitas vezes sentimos essas incoerências, mas não temos consciência de suas causas. Isso ocorre porque as causas podem estar além de nossa consciência individual, elas podem, por exemplo, ter tido origem no nosso sistema familiar, em episódios que envolveram pessoas de gerações anteriores à nossa, na maioria das vezes que nós nem mesmo chegamos a conhecer.

Para tornar consciente as causas desconhecidas de nossos desequilíbrios, o alemão Bert Hellinger (1925-  ) desenvolveu as Constelações Familiares e, a partir da aplicação desta técnica em centenas de pessoas, conseguiu compreender e formalizar as leis que regem o movimento da alma dentro do sistema familiar, as quais ele chamou de “ordens do amor”. Paralelamente aos trabalhos de Hellinger, o biólogo inglês Ruppert Sheldrake (1942-  ) formalizou a teoria dos campos mórficos (ou morfogenéticos), a qual postula que há um campo de informação inerente aos organismos e sistemas vivos. O que Bert Hellinger desenvolveu foi uma técnica para acessar esse campo de informação, de modo que a pessoa possa conhecer as informações pertinentes aos problemas que ela traz e os ajustes necessários para saná-los. Em linguagem moderna é como se o terapeuta da constelação familiar fosse um programador e analista de sistemas que acessa a linguagem do software, reprograma-o de modo a sanar as incoerências do sistema e ainda traduz para o cliente a razão para os desajustes observados. Como as informações do software estão na nuvem, assim que ocorre a reprogramação todos os usuários serão automaticamente beneficiados pela nova versão. No caso das Constelações Familiares, o “software” é o programa que regula a dinâmica inconsciente das relações entre os membros do sistema familiar. Cabe ao terapeuta acessar estas informações, torná-las consciente para o cliente e estabelecer uma nova dinâmica de relações que esteja em consonância com as leis que regem um movimento harmônico da alma. Isso é conseguido quando cada membro do sistema pode voltar a ocupar o seu próprio lugar, reconhecer e respeitar o lugar do outro e aceitar o destino de cada um. Quando esta reprogramação é feita e o cliente está aberto para aceitá-la em seu coração, o sistema familiar passa a operar de acordo com esse novo sistema de informações. Os beneficiados são o cliente e as demais pessoas conectadas ao seu sistema, que agora passam a ter um novo conjunto de informações que regula a qualidade das relações dentro do sistema familiar.

Embora o nome original tenha sido Constelação Familiar, o termo foi posteriormente ampliado para Constelação Sistêmica (pois podem ser trabalhados outros sistemas além do sistema familiar) e, mais recentemente, para Constelação da Alma, uma abordagem quase sem palavras onde o principal é o movimento da alma, expresso pelos movimentos corporais dos representantes que são conduzidos pelo campo de informação do cliente, ao qual estão em ressonância (ou sintonia).

Os desajustes da alma, ou seja, do pensar, do sentir e do querer não ficam restritos a esse nível. Se não forem tratados podem ser somatizados em doenças que afetam o corpo físico, de modo que as constelações familiares também são valiosas nesses casos. Dentro do sistema familiar, alguns dos acontecimentos que mais frequentemente são causas e/ou consequências de desarmonias em um ou mais membros da família são: 1) existência de pessoas excluídas da família; 2) pessoas que tomam o papel de outras, por exemplo, um filho que assume o lugar do pai; 3) mortes prematuras na família, seja por doenças, abortos, suicídios, assassinatos, acidentes; 4) pessoas que foram injustiçadas em casos de herança; 5) famílias com assassinos ou vítimas. É importante que a ocorrência destas situações seja investigada na família atual (cônjuges e filhos) e na família de origem: pais, avós, bisavós e até tataravós ou ainda mais longe, caso haja informações relevantes.

De posse destas informações, a pessoa pode abrir sua Constelação Familiar, o que pode ser feito em grupo ou individualmente. Ainda que não se tenha todas as informações, é possível que elas sejam acessadas ao longo da constelação que geralmente é feita em sessão única de cerca de 1 hora. Esta terapia já está bastante difundida no Brasil, onde há dezenas de cursos de formação e milhares de profissionais capacitados. Na área jurídica, o juiz Sami Storch vem usando esta ferramenta terapêutica antes das audiências, o que tem contribuído para a celebração de acordos em 100% dos processos judiciais.

Escrito por Cecília Costa*

*Cecília Costa é doutora em Ecologia, professora universitária, terapeuta em Constelação Familiar e Sistêmica e Aconselhadora Biográfica. É diretora do Instituto SerMente Livre onde facilita Constelações Familiares e Sistêmicas e ministra vários cursos de autodesenvolvimento em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife.

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